Deja-vu – Por Jannice Dantas
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Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018 às 22:29

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Deja-vu – Por Jannice Dantas

Marta havia se separado de seu segundo marido há pouco mais de um ano. Referia-se ao fato como algo libertador. No fundo ela sabia que nunca o amara de verdade, mas foi ficando... ficando... Até que se viu carregando dez anos de casamento e uma filha. Sem amor, sem cumplicidade e principalmente se vendo como responsável por todas as despesas do lar por quase todo o período de vida a dois, ela resolveu que não queria mais ser infeliz. Se separou.

Foi um ano sabático no que se referia a assuntos do coração. Alguns homens apareceram em sua vida, mas Marta apenas vivenciou o momento. Não se apegou, não se envolveu sentimentalmente. Ela estava se amando novamente. Foi então, que em plena quarta-feira de cinzas, enquanto fazia sua fisioterapia por conta de uma inflamação no joelho, Marta recebeu uma mensagem de um ex-namorado.

Ao ler o nome do ex na tela do celular, ela ficou imaginando como ele havia conseguido seu número e em seguida lembrou-se que nutria grande carinho pela irmã dele e que vez ou outra se falavam por telefone, ou mesmo por troca de mensagens. Marta então se preocupou em saber qual o motivo do contato de Otto, que até o momento vinha conduzindo a conversa com temas cotidianos bem amenos.

Desse dia em diante, Marta e Otto se falavam constantemente e na maioria das vezes relembravam situações vividas durante o período de namoro dos dois. Até que ele a convidou para sair. Ela ficou em dúvida, havia gostado muito dele no passado, mas o rompimento do namoro à fez sofrer bastante e ocorreu por conta de um sentimento de distanciamento que Marta começou a sentir.

Essas recordações nada boas fizeram com que ela pensasse em colocar um freio nas conversas e não aceitar o convite. Até porque nessa nova fase da vida em que Marta estava descompromissada, Otto estava casado e havia constituído uma família. Sabedora da situação e diante do impasse de não fazer com os outros o que não queria que fizessem com ela, Marta foi adiando o encontro.

No entanto, a recordação dos bons momentos em que passou nos braços de Otto, a faziam se questionar constantemente se deveria aceitar ou não. “Será só uma vez, não o verei mais.” Ela se confiou no fato de estar conseguindo não se envolver emocionalmente com ninguém durante quase um ano, mas também na certeza de que ele não a procuraria no outro dia. “Estou vivendo um dia de cada vez”, pensou ela, “não crio expectativas, afinal não quero mais ninguém na minha vida”.

Pensando assim, ela cometeu um grande erro. Aceitou o convite. Eles se encontraram, tomaram algumas cervejas, conversaram, se beijaram e fizeram amor por várias vezes durante a noite. Foi maravilhoso. Marta se despediu de Otto com certeza que não se veriam mais. “Afinal, é assim que os homens agem. Ele não irá me procurar e eu irei retribuir a gentileza”, pensava.

Foi então com grande surpresa que Marta recebeu uma mensagem de Otto pela manhã. As conversas continuaram, os encontros mesmo que não tão frequentes, continuaram também. Dois meses depois ela se viu completamente apaixonada por ele. “Como assim?”, ela se perguntava. Em que parte da história começou a romantizar esse relacionamento?

Marta então começou a sufocar-se com aquele sentimento de amor. Queria que Otto soubesse, mas não sabia se contar-lhe seria a coisa certa a fazer. Ficou pensado na reação dele, se questionando se ele iria se assustar e terminar tudo. Então ela resolveu tomar as rédeas da situação e com o coração apertado, pois fim a relação, deixando claro que fazia aquilo por conta do que se passava em seu íntimo.

No entanto, Marta não era mais dona dos seus pensamentos, muito menos das suas vontades, queria tirá-lo da sua vida, mas ele não saia de seu coração. E ela se viu dizendo pra ele que não conseguia abrir mão de estarem juntos. As trocas de mensagens continuaram até que numa certa manhã, não houve resposta, ele nem visualizava mais.

Marta então se viu num déjà-vu, sofrendo pelo mesmo homem, mais de 20 anos depois. Era como se os dias apenas passassem, não havia alegria. Descontava tudo nos treinos de corrida. Ali era sua válvula de escape, mas não era raro ela se pegar com os pensamentos voltados para Otto. Como ela gostava dos seus beijos, do seu sorriso.

Os dias não mais passavam, se arrastavam. Otto saiu de sua vida como entrou, inesperadamente. Mas deixou uma lacuna que Marta, antes tão decidida a não preencher, agora sentia falta. Ela agora queria um grande amor.

Tag's: Deja-vu, Jannice Dantas, Colunista, Jornalista, Acre

Fonte: Acreaovivo.com


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